Várias vezes candidato ao Prêmio Nobel de Medicina, neurocientista brasileiro mais conhecido no exterior, o palmeirense Miguel Nicolelis, 50 anos, mostra para a reportagem de Brasileiros as obras da Cidade do Cérebro, um centro de ensino, de saúde e pesquisa de ponta, com 100 mil hectares, que ele está implantando em Macaíba, no Rio Grande do Norte. Ele revela que está perto de vencer seu maior desafio: fazer um paraplégico voltar a andar, movido por uma veste robótica comandada pelo cérebro. Se tudo der certo, um menino brasileiro que era quadriplégico até recentemente vai subir andando o túnel do Maracanã, junto com a Seleção Brasileira, para dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014, usando a atividade do cérebro para controlar a veste robótica. Como isso é possível?
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Por Ricardo Kotscho
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Quatro dias antes da nossa conversa, Nicolelis estava nos EUA apresentando os novos resultados das sua pesquisas sobre a interação cérebro-máquina na Associação Americana para Avanço da Ciência. “Nós fizemos um macaco controlar um corpo virtual, que explorava um mundo virtual, tocava objetos e mandava informações de volta, direto para seu cérebro. Ou seja, nós expandimos o corpo desse animal para o mundo virtual. O coroamento dessa idéia é fazer o ser humano andar novamente”. A veste robótica já está sendo produzida em um laboratório em Munique, na Alemanha. Lembra uniforme de astronauta, com sensores espalhados pela roupa. “A pessoa tem a sensação de estar em um novo corpo. Então, é a libertação do cérebro, do corpo biológico e a incorporação de um cérebro biônico”. Na entrevista seguinte, o maravilhoso mundo novo da ciência que Miguel Nicolelis resume no título do seu último livro, com lançamento no Brasil previsto para junho, pela editora Companhia das Letras: Muito Além do Nosso Eu.
Às nove horas da manhã, pontualmente, como estava combinado, chegamos ao final da Avenida da Esperança, no campus da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em Macaíba, a meia hora de Natal, para dar início à nossa romaria pelas obras e instalação da Cidade do Cérebro. De roupa esporte, protegido do sol nordestino pelo indefectível boné do Palmeiras (até o uniforme dos operários é verde), já a mil por hora, Miguel Nicolelis desce do carro e, de braços abertos, nos mostra a utopia do Instituto Internacional de Neurociências Edmond e Lily Safra se tornando realidade.
“Esta é a nossa Brasília científica! Sou o homem dos sonhos impossíveis…”, diverte-se Nicolelis, ao ver de perto que a maquete eletrônica apresentada em Natal, durante um simpósio de Neurociência, em 2004, virou um imenso canteiro de obras, onde 220 operários trabalham dia e noite para entregar tudo pronto no próximo ano. São sete prédios, com 14 mil m2 de área construída, 45 laboratórios de pesquisa, centro de saúde, berçário e salas de aula para até cinco mil alunos. O objetivo é oferecer no mesmo espaço todos os recursos de ensino, pesquisa e saúde, do nascimento à universidade, dentro do programa Educação Toda Vida. Nos ensinos fundamental e médio, os alunos terão um período de acordo com o currículo regular do MEC e outro só de educação científica.
“Não adianta sonhar com sonho pequeno. É melhor sonhar grande, porque o tempo é o mesmo e o resultado muito melhor”, foi essa a lição que o cientista aprendeu com a avó Lygia Maria Laporta, que dará nome à escola. Enquanto caminha pelo canteiro de obras, Nicolelis conta que todos os projetos são do arquiteto brasiliense José Galbinski, recomendado por Oscar Niemeyer. Os prédios são construídos em formato de jangada e as janelas lembram velas. “Se tudo der certo, aqui vai ser…”, repete várias vezes o cientista sonhador, que nunca se dá por vencido. “Se faltarem recursos, passo o chapéu até para pinguim… O impossível é só o factível que ninguém teve tempo suficiente para realizar”. As obras demoraram a sair do chão; começaram há apenas seis meses, mas agora estão em ritmo acelerado. Brotaram no meio do nada em uma área de transição da Mata Atlântica para a caatinga. Em quase duas horas de entrevista, Nicolelis se lembra de como foi para em Macaíba, conta a história da Cidade do Cérebro e fala de seus planos para o futuro.
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sou uma senhora de 79 anos e gostaria muito de conhecer o Miguel . q. aconpanho desde muito tempo. acredito e vivo muito neste mundo e estou no aqui e agora a espera de tudo acontecer. Sempre pensei q. recebo muita informação do consciente coletivo. Parabens a êle e a tôdos q. fazem desta ciência do celebro uma realidade.
Yolanda leal